Da Lagoa aos Estados Unidos: a trajetória de Paulo Dietrich
Tem histórias que a gente adora contar porque elas mostram exatamente por que o Projeto Tênis na Lagoa existe. A do Paulo Dietrich é uma delas.
Paulo chegou ao projeto aos 13 anos, levado por um amigo de infância da Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. “A gente brincava lá quando criança, depois cada um seguiu seu caminho, até que reencontrei ele e descobri que jogava tênis no projeto do Alexandre”, conta. Foi o suficiente para despertar a curiosidade. Foi conhecer, gostou do ambiente e do grupo, e ficou por lá até os 17 anos, quando se mudou para os Estados Unidos.
Hoje, aos 19, Paulo está na metade do curso de Engenharia Elétrica na Universidade de Minnesota, em Minneapolis. De férias no Rio, ele parou para bater um papo com a gente e contar como foi essa jornada. Das quadras da Lagoa até o inverno de -40°C do meio-oeste americano.
O caminho até a aprovação
A vontade de estudar fora nasceu cedo, por volta dos 16, 17 anos, quando Paulo começou a pesquisar o que precisaria fazer para tentar uma vaga em uma universidade americana. O Alexandre teve um papel importante logo nesse início: por conhecer muita gente, ajudou a colocar Paulo em contato com pessoas que já tinham passado por esse processo.
O resultado veio na forma de uma das maiores bolsas que a universidade oferece a estudantes internacionais, reduzindo significativamente os custos. E não foi por causa do esporte, mas das notas. Foram os quatro últimos anos de escola (do 9º ano ao 3º do ensino médio), a nota no SAT (o “Enem americano”) e os textos de admissão, os chamados personal statements, em que o candidato conta sua própria história e explica por que quer aquele curso, naquela faculdade.
Antes disso, aos 16 anos, veio outra experiência decisiva: o Alexandre o apresentou ao IMG Academy, na Flórida, onde Paulo passou duas semanas em um summer camp de tênis. Foi lá, imerso no inglês o dia inteiro, que ele sentiu na pele que realmente queria seguir para os Estados Unidos.
Adaptação: mais fácil do que parecia, exceto o frio
Com o inglês já afiado pela vivência na IMG Academy, a adaptação ao novo país foi surpreendentemente tranquila. Morar sozinho, lavar roupa, se organizar…no primeiro ano, morando no campus, grande parte disso vem resolvido: plano de alimentação incluído e lavanderia própria facilitam bastante a rotina.
O verdadeiro choque foi outro: o inverno. “Faz menos 30, menos 40 graus. É uma coisa que você nunca imagina que existe, que as pessoas moram em um lugar assim”, conta Paulo. Para lidar com isso, o campus tem uma estrutura pensada para os meses mais gelados, com túneis e passarelas cobertas ligando os prédios, o que ele descreve como “muito doido”, mas também muito bem resolvido.
Fazer amizades também não foi um problema. Logo no primeiro ano, Paulo se aproximou de outros dois brasileiros que entraram na mesma turma, e hoje divide apartamento com eles, colado à fronteira entre o campus e a cidade. Segundo ele, o ambiente universitário americano naturalmente empurra as pessoas para formar grupos: “todo mundo está meio sozinho junto”, e isso cria laços rápido.
Na parte acadêmica, o que mais chama atenção é a proximidade com os professores, mesmo em turmas de 100, 200 alunos, e a estrutura esportiva do campus – incluindo 22 quadras de tênis, dez delas cobertas, com tecnologia de linha eletrônica que dispensa juiz de linha. Paulo também trabalha como professor assistente de uma disciplina que cursou, o que já garante independência financeira para alimentação e aluguel.
O que fica do Tênis na Lagoa
Perguntado sobre suas lembranças mais marcantes do projeto, Paulo lembra com carinho dos torneios estaduais, a partir dos 14 anos, e do clima de equipe nas competições, torcendo pelos amigos, criando vínculos que vão muito além da quadra. Entre os torneios, destaca o Winners, o evento de projetos sociais apoiados pelo Rio Open. Outra lembrança mais recente foi a participacao recente como boleiro no UTS, do qual participou a convite da Paula Borges, com amigos que fez no projeto. “Você chega lá às sete da manhã, sai às dez estourado, mas vale super a pena”, resume.
Um dos encontros mais importantes da sua passagem pelo projeto, porém, foi com o padrinho Thomaz Koch. Paulo lembra das conversas nos treinos, das trocas sobre a vida do Thomaz dentro e fora do tênis, e do privilégio de recebê-lo em quadra, ajudando na parte técnica: “mesmo mais velho, um controle de bola impressionante”. Foi o próprio Thomaz quem incentivou a ideia de estudar nos EUA, e mais do que isso: escreveu uma carta de recomendação para Paulo, peça importante no processo de admissão.

Foco no futuro e um agradecimento para trás
Faltam dois anos para Paulo se formar. O plano agora é conseguir um estágio de verão na área de design de chips e aceleradores de hardware, um campo que o empolga especialmente pela relevância atual do tema. Como formando em Engenharia ele terá direito a três anos de trabalho autorizado nos EUA após a graduação, período em que uma empresa pode, eventualmente, patrocinar seu visto de trabalho. O objetivo de longo prazo é se estabelecer por lá.
Para fechar a conversa, pedimos a Paulo uma mensagem para os alunos mais novos do projeto. A resposta resume bem o espírito de quem passou por ali:
“Você só falha quando desiste da sua meta. O Alexandre e a Paula foram muito importantes para mim, eles adoram ajudar as pessoas. Às vezes a gente tem vergonha de pedir ajuda, mas se você deixar as pessoas saberem que está determinado, com certeza vai encontrar quem te ajude a chegar lá.”
Do Tênis na Lagoa à Minneapolis, a trajetória de Paulo é um lembrete do que o esporte pode construir muito além do jogo: disciplina, foco, comunidade e sonhos que, com apoio certo, deixam de ser apenas sonhos.
Boa sorte no restante do curso, Paulo! O Tênis na Lagoa torce por você.



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